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  • Silvana Souza Silva

A mulher em Viena nos tempos de Freud

Um livro – uma psicanálise – histéricas ou depressão originada de um sintoma social.....

A Viena e as vienenses de 1900, livres audaciosas confiantes e sonham com o amor e a música.

As mulheres escritoras exprimem sua angústia diante da perigosa realidade, são preparadas para enfrentar a escrita, com peças de teatros e novelas. Os gritos foram substituídos por discursos e poesia.


As mulheres da época de Freud está longe, mas não pode ser esquecida.


Talvez seja preciso relembrar essas mulheres que ocuparam um lugar na trajetória da psicanálise, baronesas, artistas, escritoras, atrizes, dançarinas, sacerdotisa de moda, as vezes obrigadas a viverem um papel apagado frente a sociedade que as reprimiam, algumas por vezes eram reconhecidas, mas obrigadas a se limitarem com uma posição marginal.


A MULHER EM VIENA NOS TEMPOS DE FREUD


“A mulher em Viena nos tempos de Freud” de Célia Bertin.


O livro nos conta sobre a Viena de 1900 onde as belas mulheres bailam nos braços dos oficiais em palácios barrocos ao som de Strauss, que sonham com o amor e são audaciosas e cheias de brilho.


A maioria delas suspiram em suas mansões sem direito a uma ocupação própria, de passear pelas ruas, ou de entrarem sozinhas em um café.


Então se refugiam no imaginário e tornam-se presas de estranhos demônios, e assim ficam impossibilitadas de andar, começam a rir como loucas e gritos de horror tomam dominam seus corpos. Eis o cenário do papel das histéricas de Freud.


Por volta de 1934 Sra. Hilda Doolittle é estrangeira em Viena, mas a dedicação apaixonada que Freud lhe inspira, preenche-a e não lhe pesa.


Como com tantas outras ele faz com que ela se familiarize com a cidade, sua sessão é todos os dias às cinco horas. “Ela não é uma paciente que obedece a ordens”, escreve Freud2*(PÁG 257)


No decorrer da análise Hilda conta a Freud que associa-o a imagem materna e não a imagem paterna como ela queria 3º (relato da paciente).


Ao que Freud responde num tom irônico de não gostar de ser mãe numa transferência, pois sente-se “tão masculino!” em outros momentos já li que Freud incomodava-se com esse lugar que a transferência ocupa era algo que ele sentia necessidade de explorar um pouco mais.


H.D em 1936 envia para Freud como presente de aniversário um enorme buquê de gardênias. E Freud como agradecimento envia–lhe um carta surpreendente:


Cara H.D

Todo seu rebanho branco chegou sem problemas, sobreviveu e enfeitou a sala até ontem.

Eu acreditava que havia me tornado insensível tanto aos elogios quanto as censuras.

Ao ler seu bilhetinho amável e percebendo o prazer que sentia, a princípio achei, que me enganara quanto a minha firmeza.

Porém após refletir, conclui que não era bem isso. O que a Sra. me proporcionou não foram elogios mais afeição, e não tenho porque me envergonhar de meu prazer.

A vida na minha idade não é fácil, a primavera é bela e o amor também.

Cordialmente Freud “


A mulher da época de Freud está longe, mas não pode ser esquecida.

Nos tempos atuais elas continuam bailando e desfilando seus sentimentos e pensamentos, por vezes não respeitados e sem lugar.


A sociedade que quer calar, não há espaço para todos, mas a lugar para cada um.


Não estamos em 1900 onde Freud está dando sentido e direcionando o tratamento de alguns sintomas, mas estamos diante de algo muito além do princípio do prazer.


Assim como a psicanálise reverbera a cada dia, a cada leitura a cada atendimento.


Silvana Souza

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